Por Dr. Alan Wells, Presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Capilar
O medo de ficar com cicatrizes visíveis após um transplante capilar é um dos principais receios que os pacientes trazem para a primeira consulta. É um temor compreensível e, em alguns contextos, justificável, especialmente quando se conhece histórias de procedimentos realizados com técnicas antigas ou por profissionais sem especialização adequada.
A boa notícia é que a cirurgia capilar moderna evoluiu enormemente nesse aspecto. Com técnicas corretas e planejamento cuidadoso, o risco de cicatrizes visíveis é mínimo. Mas é fundamental entender o que determina esse risco e como minimizá-lo.
Por que cicatrizes surgem e por que nem sempre surgem
Toda cirurgia deixa algum tipo de marca no tecido. O que diferencia uma cicatriz imperceptível de uma cicatriz visível é a combinação entre a técnica cirúrgica utilizada, o planejamento da área doadora, a habilidade do cirurgião e os cuidados no pós-operatório.
No transplante capilar, a área doadora, de onde os folículos são retirados, é o local mais crítico em relação à cicatrização. A forma como essa remoção é feita determina em grande parte o resultado estético nessa região.
A diferença entre FUT e FUE na cicatrização
Existem duas técnicas principais de extração de folículos: o FUT (Follicular Unit Transplantation), que remove uma faixa de pele da região doadora, e o FUE (Follicular Unit Extraction), que extrai os folículos individualmente, um a um.
No FUT, a remoção da faixa de pele deixa uma cicatriz linear na nuca. Quando o procedimento é bem executado e a sutura é feita com técnica adequada, essa linha pode ficar bastante discreta, coberta pelos cabelos ao redor. Porém, se o paciente mantém o cabelo muito curto nas laterais e na nuca, a cicatriz pode ser percebida.
No FUE, as extrações são pontuais e circulares, com punches de diâmetro muito pequeno. As marcas resultantes são microcicatrizes espalhadas pela área doadora, que tendem a ser praticamente invisíveis quando o cabelo tem comprimento normal ou curto. É a técnica que oferece melhor discrição na área doadora.
A área receptora: cuidados que fazem diferença
Na área receptora, onde os folículos são implantados, as incisões criadas para receber cada unidade folicular são extremamente pequenas e bem distribuídas. Quando realizadas com instrumentos adequados e na densidade correta, essas microincisões cicatrizam sem deixar marcas perceptíveis.
Problemas de cicatrização na área receptora geralmente estão associados a densidade excessiva de implantação, que pode comprometer o fluxo sanguíneo local, ou a infecções pós-operatórias. Situações preveníveis com técnica correta e cuidados adequados.
Fatores individuais que influenciam a cicatrização
Mesmo com técnica impecável, existem características individuais que influenciam a forma como o corpo cicatriza. Pessoas com tendência a queloide, formação excessiva de tecido cicatricial, representam um perfil que exige avaliação especialmente criteriosa antes de qualquer procedimento cirúrgico.
A qualidade da pele, a história de cicatrização de cirurgias anteriores e condições como diabetes ou imunossupressão também são fatores que o cirurgião deve avaliar no planejamento pré-operatório.
O pós-operatório como aliado da boa cicatrização
Seguir rigorosamente as orientações pós-operatórias é tão importante quanto a técnica cirúrgica em si. Evitar exposição solar direta, não manipular as áreas operadas, manter higiene adequada e respeitar o tempo de repouso são medidas que contribuem diretamente para uma cicatrização limpa e discreta.
Infecções pós-operatórias, mesmo leves, podem comprometer a qualidade da cicatrização. Por isso, qualquer sinal de inflamação persistente ou secreção na área operada deve ser comunicado imediatamente ao cirurgião responsável.
A escolha certa como melhor prevenção
A forma mais eficaz de evitar cicatrizes visíveis após um transplante capilar é escolher um cirurgião com experiência real e comprovada na especialidade. Técnica inadequada, instrumentos impróprios ou planejamento equivocado da área doadora são as principais causas dos casos insatisfatórios que vejo em consultas de revisão.
Como Presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Capilar e cirurgião que apresenta suas técnicas nos maiores congressos internacionais, posso afirmar com segurança: quando o transplante é planejado e executado com rigor técnico, cicatrizes visíveis são exceção, não regra. O paciente deve exigir esse padrão.
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