Por Dr. Alan Wells, Presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Capilar

Uma das perguntas que mais escuto no consultório é tão direta quanto necessária: doutor, por que meu cabelo está caindo? A resposta, na maior parte das vezes, não é única. Dois ou três fatores costumam agir em paralelo, e identificar cada um deles é o que transforma uma queixa genérica em diagnóstico útil.

Reuni aqui os seis fatores que mais investigo em quem chega com queda persistente. Nenhum deles deve ser encarado isoladamente.

1. Fatores genéticos

A predisposição genética ocupa o primeiro lugar em frequência. Na alopecia androgenética, a herança familiar define a sensibilidade dos folículos aos hormônios androgênicos. Nos homens, aparece com entradas e afinamento no topo. Nas mulheres, com rarefação difusa na região central do couro cabeludo.

Identificar esse padrão precocemente faz diferença real. Quanto antes eu inicio a conduta, mais fios preservo.

2. Alterações hormonais

Hormônios regulam o ciclo do fio diretamente. A tireoide é protagonista. Tanto o hipotireoidismo quanto o hipertireoidismo provocam queda difusa. Em mulheres, pós-parto, climatério e síndrome dos ovários policísticos também impactam o cabelo.

Uma avaliação laboratorial bem dirigida identifica essas causas e evita tratamentos desalinhados do problema real.

3. Deficiências nutricionais

Ferritina baixa, vitamina D insuficiente, zinco reduzido e proteína inadequada na dieta estão entre os gatilhos nutricionais mais comuns. O folículo precisa de insumo constante para sustentar o crescimento. Qualquer interrupção se reflete no fio, com atraso de semanas a meses.

Dietas muito restritivas, cirurgias bariátricas e quadros de má absorção entram nesse grupo e pedem acompanhamento nutricional integrado.

4. Estresse e sobrecarga emocional

O eflúvio telógeno é o quadro mais típico de estresse sobre o cabelo. Picos elevados e prolongados de cortisol deslocam os fios para a fase de queda, e o impacto aparece três a quatro meses depois.

Segundo o Ministério da Saúde, queixas associadas à sobrecarga emocional cresceram de forma expressiva, e o cabelo costuma ser um dos primeiros sinais.

5. Doenças autoimunes e inflamatórias

A alopecia areata é a mais conhecida desse grupo, com falhas arredondadas e instalação súbita. Outras condições, como lúpus, líquen plano piloso e alopecia frontal fibrosante, comprometem o couro cabeludo de forma cicatricial e exigem diagnóstico precoce.

A inflamação silenciosa do couro cabeludo, associada a quadros de dermatite seborreica crônica, também contribui para queda progressiva quando não tratada.

6. Hábitos e fatores externos

Tração por penteados muito apertados, uso excessivo de calor, químicas agressivas, exposição solar prolongada e sono insuficiente comprometem a estrutura do fio ao longo do tempo. Alguns medicamentos, como anticoagulantes, antidepressivos, anti-hipertensivos e quimioterápicos, também integram essa lista.

Como eu investigo

A investigação correta parte de anamnese detalhada, exame do couro cabeludo com tricoscopia e, quando indicado, exames laboratoriais dirigidos. Para quem quiser aprofundar cada fator, vale conhecer o blog do meu site.

Como eu atuo quando há perda estabelecida

Quando a investigação mostra perda já consolidada e a conduta clínica atingiu o seu limite, indico a cirurgia. Aplico a técnica Natural Wells™ com transplante capilar sem raspar, para que o paciente mantenha a rotina e receba um resultado que ninguém percebe como procedimento.

O próximo passo

Investigar a causa é o primeiro gesto em direção ao resultado. Agende uma avaliação personalizada comigo e receba um diagnóstico preciso, com conduta individualizada.

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