Por Dr. Alan Wells, Presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Capilar

A queixa mais comum no meu consultório começa quase sempre da mesma forma. O paciente abre o celular, mostra uma foto recente e diz que não se reconhece mais. Encontrou fios no travesseiro, na escova, no ralo do box. E chega com uma pergunta legítima: o que pode ser?

A verdade é que a queda de cabelo raramente tem explicação única. Em boa parte dos casos, dois ou três fatores agem em paralelo. Neste artigo, quero te ajudar a entender os principais deles, com a mesma clareza com que explico para meus pacientes.

Antes de tudo, como funciona o ciclo do fio

Cada fio passa por três fases: crescimento, transição e queda. Em condições normais, entre 85% e 90% dos fios estão em crescimento. Quando um estímulo negativo altera esse equilíbrio, uma proporção maior entra na fase de queda ao mesmo tempo, e o resultado aparece semanas depois.

Essa informação muda a leitura do problema. O que cai hoje reflete o que aconteceu com o seu organismo há dois, três, às vezes quatro meses. A queda, na prática, é um sinal atrasado.

Estresse: o gatilho mais subestimado

O estresse intenso ou prolongado empurra grande parte dos fios para a fase de queda. O quadro se chama eflúvio telógeno e costuma aparecer após eventos marcantes como luto, separação, cirurgias, quadros pós-virais e sobrecarga profissional. O mecanismo central é a elevação sustentada do cortisol, que interfere diretamente na sinalização do folículo.

Dados do Ministério da Saúde registram aumento expressivo de queixas associadas à sobrecarga emocional, e o cabelo é um dos primeiros sinais que o corpo manda.

Deficiências nutricionais

Ferritina baixa, vitamina D insuficiente, zinco reduzido e ingestão proteica inadequada figuram entre os fatores mais recorrentes em quem busca avaliação por queda difusa. O fio é um tecido biologicamente ativo. Sem insumo constante, ele perde densidade.

Dietas muito restritivas, cirurgias bariátricas e quadros de má absorção entram nesse grupo e exigem acompanhamento nutricional integrado. Eu sempre oriento que suplementação deve partir de exames, não de suposição.

Alterações hormonais

A tireoide ocupa posição central entre as causas hormonais. Tanto o hipotireoidismo quanto o hipertireoidismo alteram o ciclo capilar e geram queda difusa. Em mulheres, variações de estrogênio e progesterona no pós-parto, no climatério e em quadros de SOP também impactam diretamente o cabelo.

Uma avaliação laboratorial bem dirigida identifica essas causas com precisão e permite conduta específica, em vez de tratamentos genéricos que não atacam a raiz do problema.

O fator genético: a alopecia androgenética

A alopecia androgenética, que muita gente chama de calvície, tem origem genética e responde à ação dos hormônios androgênicos sobre o folículo. Nos homens, costuma aparecer com entradas e rarefação no topo da cabeça. Nas mulheres, com afinamento difuso, especialmente na região central.

O diagnóstico correto aqui é decisivo. Confundir alopecia androgenética com eflúvio telógeno atrasa a conduta adequada. Na minha prática, esse é um dos erros mais frequentes que vejo em pacientes que chegam depois de tentarem soluções genéricas.

Medicamentos, doenças e hábitos

Alguns medicamentos afetam o ciclo capilar, como anticoagulantes, antidepressivos, anti-hipertensivos e quimioterápicos. Doenças autoimunes, infecções e desordens crônicas do couro cabeludo como a dermatite seborreica também contribuem.

Somam-se a isso hábitos do dia a dia. Sono insuficiente, tração constante por penteados apertados, uso excessivo de calor e químicas agressivas comprometem a estrutura do fio ao longo do tempo.

Quando vale procurar avaliação

Perder até cerca de 100 fios por dia está dentro do padrão normal. O alerta aparece quando a queda se sustenta por mais de 30 a 60 dias, quando há rarefação visível ao espelho, afinamento progressivo ou quando surgem falhas localizadas.

Como eu investigo

No meu consultório, a avaliação parte de histórico clínico detalhado, passa por análise com tecnologia de imagem do couro cabeludo e inclui, quando necessário, exames laboratoriais dirigidos. Quando já há perda estabelecida, aplico a técnica Natural Wells™ com transplante capilar sem raspar, que devolve densidade com resultado imperceptível e pós-operatório discreto.

O próximo passo

Se o seu cabelo vem caindo acima do habitual, não adie o diagnóstico. Agende uma avaliação personalizada comigo e descubra o que está por trás da queda.

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