Por Dr. Alan Wells, Presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Capilar
O mercado de produtos para crescimento de cabelo é vasto, barulhento e pouco criterioso com evidências. Cada nova temporada traz um ativo diferente promovido como revolucionário, um suplemento que promete cabelos mais longos em semanas e uma linha cosmética que afirma estimular folículos dormentes.
Para quem precisa tomar decisões sobre saúde capilar, separar o que funciona do que é apenas apelo comercial é cada vez mais difícil.
A abordagem correta começa com uma distinção importante: o que é bom para o crescimento de cabelo em pessoas saudáveis é diferente do que é indicado para quem tem deficiência nutricional ou condição clínica específica. Confundir esses contextos é o erro mais frequente.
Nutrientes com papel documentado na saúde capilar
O ferro é o nutriente cuja deficiência tem relação mais estabelecida com queda capilar e crescimento comprometido.
A ferritina baixa, mesmo sem anemia manifesta, pode comprometer o ciclo capilar. A reposição de ferro em pacientes com deficiência documentada melhora a qualidade e o crescimento do fio de forma clinicamente significativa.
A vitamina D tem receptores nos folículos capilares e participa da regulação do ciclo capilar. Deficiência de vitamina D está associada a quadros de alopecia areata e queda difusa. Sua reposição em pacientes com níveis inadequados pode ter impacto positivo na saúde folicular.
O zinco participa da síntese proteica e da função enzimática folicular. Sua deficiência pode causar queda capilar reversível com a reposição adequada.
Ativos tópicos com evidência científica
O minoxidil é o ativo tópico com maior volume de evidência científica para estímulo ao crescimento capilar. Seu mecanismo de ação envolve a prolongação da fase anágena e a melhora da irrigação sanguínea do folículo.
É aprovado pela Anvisa para tratamento de alopecia androgenética em homens e mulheres e tem eficácia demonstrada em estudos clínicos controlados.
O finasterida (oral) atua inibindo a conversão de testosterona em DHT, reduzindo a miniaturização folicular na calvície androgenética masculina.
Não é propriamente um estimulante de crescimento, mas ao preservar os folículos existentes, mantém a densidade capilar de forma clinicamente significativa. O dutasterida tem mecanismo semelhante com inibição mais ampla da enzima 5-alfa-redutase.
O que tem apelo mas pouca evidência
Óleos como o de rícino, de coco e de argan são amplamente promovidos para crescimento capilar. Há evidência de que o óleo de rícino pode melhorar a aparência do fio por seu efeito condicionante na haste, mas não há evidência robusta de que estimule o crescimento folicular.
O mesmo vale para a maioria dos ativos “naturais” promovidos no mercado cosmético.
Suplementos multivitamínicos capilar genéricos têm valor clínico limitado em pessoas sem deficiências documentadas. A suplementação sem exames prévios pode, em alguns casos, ser contraindicada. O excesso de vitamina A, por exemplo, está associado à queda capilar por hipervitaminose.
Quando vitaminas e ativos não resolvem o problema
Quando a causa da queda capilar é genética, como na calvície androgenética avançada, nenhuma vitamina ou ativo tópico restaura os folículos já miniaturizados. O transplante capilar é, nesses casos, a única abordagem que oferece repovoamento permanente das áreas afetadas, com fios resistentes à ação da DHT transplantados da área doadora.
O que é bom para o crescimento de cabelo depende da causa do problema. A investigação clínica que identifica deficiências reais é o ponto de partida de qualquer abordagem que vá além do cosmético.
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