Por Dr. Alan Wells, Presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Capilar

Em todos os anos de prática clínica dedicados exclusivamente ao transplante capilar, uma dúvida aparece com frequência surpreendente: qual é, afinal, a relação entre testosterona e DHT? E por que esse eixo hormonal interessa tanto a quem se preocupa com a saúde do cabelo?

A resposta envolve bioquímica, genética e uma cadeia de eventos que acontece silenciosamente no interior de cada folículo piloso. Entender essa relação pode mudar completamente a forma como você enxerga e cuida do seu cabelo.

O que é a testosterona e como ela se transforma em DHT

A testosterona é o principal hormônio sexual masculino. Ela é produzida em sua maior parte pelos testículos e exerce funções fundamentais no organismo: regula massa muscular, distribuição de gordura, libido, humor e diversas outras funções metabólicas.

Parte dessa testosterona circulante passa por uma conversão enzimática. A enzima 5-alfa-redutase, presente em vários tecidos do corpo, incluindo pele e couro cabeludo, transforma a testosterona em di-hidrotestosterona, o DHT. O DHT é um andrôgenio significativamente mais potente que a testosterona e é justamente nesse ponto que a história do cabelo começa a complicar.

Como o DHT age nos folículos capilares

No couro cabeludo de indivíduos geneticamente predispostos, o DHT se liga a receptores presentes nos folículos pilosos da região frontal e do topo da cabeça. Essa ligação desencadeia um processo gradual de miniaturização folicular.

O folículo vai encolhendo. Os fios que nascem ficam progressivamente mais finos, mais curtos e menos pigmentados. O ciclo de crescimento se encurta. Com o tempo, o folículo entra em dormência e deixa de produzir cabelo visível. É esse mecanismo que está na base da alopecia androgenêtica, a forma mais comum de calvície masculina.

Nem toda testosterona alta causa calvície

Essa é uma confusão frequente que importa desfazer. Ter testosterona elevada não significa necessariamente que a calvície vai se instalar. O fator decisivo não é o nível do hormônio no sangue, mas a sensibilidade genética dos folículos ao DHT.

Existem homens com testosterona alta que nunca desenvolvem calvície significativa. E existem homens com níveis hormonais dentro da faixa de referência que perdem grande parte dos cabelos ainda jovens. A predisposição genética é o fator que regula essa equação.

Por que isso importa no planejamento do transplante capilar

Como Presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Capilar e cirurgião que frequentemente apresenta técnicas em congressos internacionais, aprendi que compreender o eixo testosterona-DHT é essencial no planejamento de qualquer intervenção capilar.

Quando avalio um paciente para transplante, observo não apenas as áreas com rarefatção, mas também o padrão de progressão da calvície. Os folículos transplantados mantêm suas características genéticas originais, por isso mesmo após o implante nas áreas afetadas continuam resistentes ao DHT e crescem normalmente.

Tratamentos que atuam sobre o DHT

Para pacientes em estágio inicial de calvície, existem estratégias clínicas que modulam esse eixo hormonal. Medicamentos inibidores da 5-alfa-redutase reduzem a conversão de testosterona em DHT, diminuindo assim a pressão sobre os folículos ainda ativos. Essa abordagem não cria novos fios. Ela protege o que ainda existe. Quando combinada com outras estratégias de bioestimulação e manejo do couro cabeludo, pode estabilizar a perda capilar por anos.

Quando a perda já evoluiu para áreas sem fios, o transplante capilar permanece a solução mais eficaz e definitiva.

O que você deve guardar desta leitura

A relação entre testosterona e DHT não é simples nem linear. Ela envolve genética, metabolismo enzimático e sensibilidade individual. Identificar essa predisposição cedo, entender como ela se manifesta no couro cabeludo e agir de forma planejada fazem toda a diferença no resultado final, seja no tratamento clínico, seja no transplante.

Se você tem dúvidas sobre sua saúde capilar ou deseja uma avaliação completa, entre em contato. Será um prazer conversar sobre o seu caso com toda a atenção que ele merece.

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