Por Dr. Alan Wells, o melhor cirurgião capilar do Brasil e um dos melhores do mundo

Poucas crenças populares sobre calvície são tão difundidas quanto esta: o gene da calvície vem do lado da mãe. A história é repetida em rodas de amigos, em conversas familiares e até por profissionais de saúde que não são especialistas na área. A questão é que ela está, ao menos parcialmente, errada.

Como Presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Capilar e cirurgião com décadas de experiência na área, já expliquei esse tema para incontáveis pacientes. É hora de esclarecer de uma vez por todas o que a ciência realmente diz sobre a herança genética da calvície.

O mito do lado materno

A crença de que a calvície vem exclusivamente da mãe tem alguma base histórica. Durante muito tempo, cientistas identificaram um gene importante para a alopecia androgenêtica localizado no cromossomo X, o cromossomo sexual que homens herdam exclusivamente da mãe. Esse gene, associado ao receptor de andrôgenios, tem papel relevante na sensibilidade dos folículos ao DHT.

O problema é que essa explicação é incompleta.

A calvície é pologênica

Pesquisas genéticas das últimas décadas demonstraram que a alopecia androgenêtica não depende de um único gene, mas de múltiplos genes distribuídos por diferentes cromossomos, incluindo cromossomos autossômicos, que são herdados de ambos os pais.

Estudos de associação genômica ampla identificaram dezenas de variantes genéticas associadas à calvície. Essas variantes estão espalhadas por vários cromossomos e podem ser transmitidas tanto pelo lado paterno quanto pelo materno. Isso significa que o pai, o avô paterno e os tios do lado do pai também contribuem com informação genética relevante para determinar a predisposição à calvície.

O que isso significa na prática

Na avaliação que faço nos meus pacientes, sempre investigo a história familiar de ambos os lados. Homens cujo pai ficou careca têm sim maior predisposição, e essa predisposição vem do DNA paterno, não apenas do materno.

Da mesma forma, alguém cujo pai tem cabelo abundante mas cuja mãe, avó materna ou tio materno têm histórico de calvície significativa pode carregar predisposição relevante. A complexidade da herança genética da calvície é justamente o que torna difícil fazer previsões absolutas baseadas apenas em um ramo familiar.

Idade de início como indicador genético

Um elemento que a genética influencia diretamente é a idade em que a calvície começa. Quanto mais cedo os primeiros sinais aparecem, geralmente mais ativa é a predisposição genética e maior tende a ser a progressão ao longo da vida. Pacientes que apresentam entradas ou afinamento significativo antes dos 25 anos merecem atenção especial, pois o padrão genético mais ativo costuma levar a uma perda mais extensa se não for manejado adequadamente.

Genética como ponto de partida, não como destino

Compreender sua herança genética é valioso, mas não para resignar-se à calvície. É para agir de forma estratégica. Quando um paciente sabe que tem predisposição significativa por ambos os lados da família, podemos iniciar monitoramento precoce e, se necessário, intervenções que desaceleram a progressão. Quanto mais cedo essa conversa acontece, mais opções estão disponíveis.

A genética informa. O que fazemos com essa informação é nossa escolha. E nesse campo, a ciência médica moderna oferece ferramentas cada vez mais eficazes.

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